adicionar aos favoritos | Salvador/BA

04/06/2006 07:36
Sempre que você chorar,
Espero que possa lembrar,
Das mãos que as suas tocaram,
Da boca que a sua beijou.
Palavras não dizem mais que um olhar,
Palavras não dizem nada.
Ai então quero ver,
Se são desertos ou não,
Os caminhos que percorri.
Reserva um dia pra mim.
Revela seu segredo para mim.
Diários, às vezes não tem chave,
Diários não dizem nada.
Lá fora tem outro jardim,
Espécies de flores, odores ruins.
Decide o que sou para você:
Amante, amigo, sei lá.
Ponteiros girando ao contrário,
Ponteiros, apenas o tempo.
Como águas que caem aumentando meu mar,
Sou capaz de esperar ate o próximo verão.
Mas, não se esqueça que meu coração,
É quem diz se o amor,
Merece perdão.
Obs.: mensagem enviada pelo meu amigo Rodolfo Falcão (Mato Grosso do Sul/BRA).
FIQUE SABENDO:
Vício preferido de homens, mulheres e crianças, o chocolate não tem concorrentes quando a idéia é dar um sabor a mais no dia-a-dia. Comprovadamente mais saudável que o vinho, basta um pequeno tablete do doce para desencadear no cérebro humano as mesmas reações produzidas por uma paixão fulminante. O que poderia ter poderes semelhantes? Uma flechada do Cupido, talvez. Chocólatra convicto, jornalista especializado no cenário internacional e em culinária, o norte-americano Mort Rosenblum resolveu investigar a história do exuberante alimento, traçando um panorama completíssimo da iguaria no livro Chocolate - Uma saga agridoce preta e branca, lançado pelo selo Prazeres e Sabores da editora Rocco.
Não se trata de um livro de receitas, é bom que se diga. Longe disso, há pouquíssimas, salpicadas nas quase 400 páginas, como a preciosa indicação de preparo do líquido fumegante à moda asteca. Nem por isso Chocolate deixa de ser prazeroso. Rosenblum fez uma senhora reportagem sobre a relação do alimento à base de cacau com o homem, desde suas origens até os dias de hoje. E melhor, interferiu, expondo as impressões no momento em que experimentou os mais requintados tipos de chocolate nos grandes centros produtores, como México, França, Suíça e Alemanha. Uma das cenas descritas é particularmente impressionante: é quando o autor prova bombons numa espécie de clube de chocólatras francês e testemunha uma substância chamada feniletilamina se instalando no corpo dos presentes e detonando uma sensação de prazer quase lascivo. Demonstrações de prazer iguais os amantes do cinema viram em filmes, à exemplo de Chocolate e Como água para chocolate.
Em sua narrativa deliciosa, Mort Resenblum volta até as instigantes civilizações asteca e maia, do século XIII, as primeiras a produzir uma bebida, considerada sagrada, a partir da mistura de semente de cacau, pimenta, ervas e mel, embora arqueólogos afirmem que os olmecas, sociedade anterior aos maias, já consumiam chocolate mil anos antes de Cristo. De lá, o autor nos conta que a moeda local não era ouro, como se supõe vendo a opulência dos pré-colombianos, mas sim semente de cacau. Eram amêndoas tão valiosas que iam para o túmulo com os reis.
Quando chegaram, os espanhóis começaram a observar a conduta lasciva dos nativos, "cujo principal interesse na vida parecia ser comer, beber, entregar-se à orgia para satisfazer uma sensualidade selvagem", como escreveu o conquistador Francisco Oviedo y Valdés, com uma pitada de inveja. Já Hernán Cortés analisou sob outro aspecto. "A divina bebida de chocolate aumenta a resistência e combate a fadiga. Com uma xícara dessa bebida preciosa, um homem pode caminhar o dia inteiro sem comer", relatou ao rei Carlos I. Com a aproximação dos jesuítas, o chocolate passou a ser produzido em mosteiros e conventos medievais. Rápido aquele alimento de paladar luxuriante se alastrou pela Europa. No final do século XVI, era a coqueluche entre os nobres.
Ainda que faça uma reconstituição cheia de vida, o melhor de Mort Rosenblum é que sua narrativa não se detém no aspecto histórico. Durante os últimos quatro anos, ele investigou a poderosa indústria do chocolate, que movimenta cerca de US$60 milhões/ano ao redor do mundo. Ele visitou plantações de cacau, entrevistou cultivadores, compradores, doceiros e degustadores para descobrir peculiaridades. Junto com Roseblum, o leitor sonda os impérios da Hershey, Godiva e Nestlé, observa passo a passo a transformação das sementes em produtos refinadíssimos e faz descobertas inusitadas. As populares barras de chocolate, por exemplo, que surgiram durante a revolução industrial, contém, na verdade, muito pouco cacau.
O desjejum dos deuses
Uma noite, em Paris, um amigo me levou para uma degustação no Club des Croqueurs de Chocolat, um círculo de pessoas que acreditam que bombons bem-feitos são tão fundamentais para a vida como o oxigênio. Experimentamos uma criação após a outra, notando cada nuança desde o lustro das suas coberturas até os sutis lampejos de aroma e sabor que permaneciam na língua. Com silenciosos sorrisos e sinais de aprovação, fomos sinalizados em folhas de avaliação ao lado de adjetivos emprestados do complexo léxico do vinho.
Finalmente, saciados até quase o estupor, nós nos acomodamos para ouvir o mestre degustador anunciar os planos para a próxima sessão. Iríamos, ele disse, provar os melhores éclairs au chocolat que a França tinha para oferecer. "Ah, oui", uma mulher suspirou no fundo da sala. "Oouuiii", outra acrescentou, com mais força, e uma outra aderiu com sonoros gemidos em staccato: "Oui, oui, oui". De repente, o sóbrio salão de jantar do hotel era um ambiente lascivo com os gritinhos agudos de paixão. Colombo teria adorado.
Como todo garoto americano, cresci comendo barras Hershey e aquelas bolinhas coloridas que, não obstante o que diz a MeM, derreteriam na minha mão assim como na minha boca. Durante anos, como gurmê amador e viajante profissional, aprendi a apreciar outras variações sobre o tema. Aquela noite em Paris, entretanto, mostrou-me que eu não sabia de nada, que eu era um complexo ignorante em chocolate.
COPA DO MUNDO:
Famílias e amigos se reúnem e, pelo menos nas últimas edições, a Seleção Brasileira tem colaborado para uma completa farra pós-jogo. Naturalmente, a diversão é regada a muita música, desde as clássicas em louvor ao escrete canarinho até animados temas que trazem o esporte nas letras, em ritmos que colocam o esqueleto para balançar. Entretanto, desde a última Copa, quando Festa, de Ivete Sangalo, invadiu os estádios, a indústria cultural passou a mostrar toda a sua voracidade, na expectativa de emplacar o hino da vez da torcida, que tanto pode forjar uma celebridade instantânea quanto render dividendos a veteranos e suas produtoras e gravadoras.
Na terra onde só se veste verde-e-amarelo no período em que rola a maior das competições futebolísticas, as recentes vitórias e o otimismo desenfreado abrem um interessante mercado para os mais diversos artistas cantarem o futebol. Entre os que pegaram carona no oba-oba da Copa do Mundo - que começa sexta-feira com Alemanha x Costa Rica - destaca-se Latino, que chegou ao topo das paradas de sucesso com Meu gol de placa. Com letra de duplo sentido, a canção utiliza termos futebolísticos para falar de um rapaz que engravida uma menina, marcando um "gol de placa". Mesmo trabalhando a música num período propício, Latino nega que tenha aproveitado o momento estrategicamente. "Nada disso foi pensado, eu pude perceber que o futebol e o sexo moram juntos. Dependendo da forma que você pronuncia as palavras, tudo acaba em gíria futebolística. Não imaginei que seria esse sucesso todo. Acho que o momento colaborou", pondera o cantor, que, durante a turnê de Meu gol de placa, se veste de jogador de futebol e brinca com a platéia.
Outros dois artistas populares também entraram no gramado. Neguinho da Beija-Flor foi convidado para animar os jogadores em Weggis, na Suíça, e logo tratou de compor Olha a Seleção aí gente, de conteúdo altamente patriótico. Na cola, Marcelo D2 apresentou no Domingão do Faustão, na semana passada, uma música em homenagem a Ronaldo, o Fenômeno, que será inclusive lançada em uma edição especial do seu mais recente disco, Meu samba é assim. Em boa hora, afinal D2 segue em uma turnê de dois meses pela Europa, passando, claro, por uma Alemanha em plena competição.
Duas baianas também estão investindo no Velho Continente, afinal, nesse período, o nome Brasil dá ainda mais frutos. Ivete Sangalo e Daniela Mercury, que possuem um considerável número de fãs em Portugal, já estão fazendo shows na Europa e reservaram algumas datas para a época que a antiga Germânia vai fervilhar. Ivete tenta abocanhar mais uma fatia do bolo, afinal teve a música mais celebrada em 2002, mas agora pode ser a vez da Levada brasileira, de Daniela, que, como a canção de Ivete, não faz referência ao futebol, mas carrega na brasilidade.
Carlinhos Brown e a banda Jammil também não deixaram o momento passar em branco. O músico do Candeal tirou da cartola um forte candidato a hit, Futeboleiro, aquele que traz o verso "Ê, ê, ê, ê, ê, eu sou um brasileiro e mando um beijo pra você" e virou jingle da empresa Vale do Rio Doce.
O Jammil lançou, no recente disco ao vivo, a faixa Brasileríssima, com letra do baixista Manno Góes. "Quando compus a música, quis justamente me referir a esse aspecto curioso de `patriotismo´ exacerbado que toma conta do país. Falo dos problemas que são esquecidos, pois nessa época tudo gira em torno do futebol. Copa pra mim é diversão. Se o Brasil vencer, ótimo. Se a Argentina perder, maravilha!", brinca o autor da canção. Os frutos já estão sendo colhidos, já que o grupo vai tocar num evento oficial da Fifa, o Vila Copa Philips, em São Paulo, logo depois do primeiro jogo do Brasil, contra a Croácia, no dia 13.
Futeboleiro e Brasileríssima, ao lado de Meu gol de placa e Goleador, estão hoje entre as mais tocadas da rádio Piatã FM, de acordo com o radialista Jeffinho. "Nos dias dos jogos, vamos tocar músicas que marcaram época, como Pra frente Brasil e A taça do mundo é nossa, além das quatro novas, que já estão tocando bastante", pontua.
Vale ainda citar a homenagem do ministro da Cultura e cantor Gilberto Gil à equipe de Parreira. O artista lançou um single com Balé de Berlim, contando com a ajuda de Zeca Pagodinho nos vocais. A letra traz referências ao Senhor do Bonfim, Carnaval e até ao mítico saci, encerrando em clima de reverência a atletas das mais diversas estirpes, como Pelé, Beckenbauer, Puskas, Garrincha, Bobby Charlton e até o baiano Bobô, que nem Copa jogou, mas rima bem com o camaronês Eto''o. É Gil repetindo a dose, como fez durante a Copa da França, em 98, com a canção Balé da bola.
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Samba de chuteira
Até mesmo os artistas do campo estão arriscando no papel de cantor. Sempre visto nos momentos de lazer com um pandeiro na mão e um samba na ponta da língua, Ronaldinho Gaúcho se junta ao grupo Sambatri para cantar Goleador.
Como já fizeram diversos jogadores nas Copas de 82 e 86, além de Pelé em outras ocasiões, o melhor jogador do mundo na atualidade empunha o microfone e ainda estampa a capa do Samba goal, disco que traz a canção e está sendo lançado pela Universal.
Todas as outras faixas teriam sido selecionadas por Ronaldinho, que escolheu suas favoritas do samba e pagode, mas não deixou de fora sucessos de outras searas, como Meia lua inteira (Caetano Veloso), Ela só pensa em beijar (MC Leozinho) e Bola de sabão (Babado Novo).
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Uma caixinha de surpresas
Essa história de música temática para a Copa do Mundo já não é de agora. Uma das mais conhecidas, até hoje tocada à exaustão, é Pra frente Brasil, da Copa de 70, quando ainda eram "90 milhões em ação". Hoje ela pode ser escutada nas mais diversas versões, em virtude das mudanças demográficas. Hino do período da ditadura militar, a canção foi eternizada com a ajudinha da conquista do tricampeonato, no México.
Desde então, ela é renascida de quatro em quatro anos, ao lado de outros clássicos como A taça do mundo é nossa (ainda mais antiga, feita após a primeira conquista, em 58) e Povo feliz (mais conhecida pelo refrão "Voa, canarinho, voa", gravada pelo lateral-esquerdo Júnior, em 82), além de músicas mais recentes como o tema da Rede Globo para a Copa de 94, Coração verde-e-amarelo ("eu sei que vou vou do jeito que eu sei/de gol em gol com direito a replay").
Mas nem sempre canções que são figurinhas fáceis em época de Copa do Mundo foram feitas com esse intuito. É o caso de É uma partida de futebol (Skank) e Eu quero ver gol (O Rappa), além de We are the champions (Queen), beneficiadas por trazerem o esporte, bretão ou não, nas letras. Prova de que muitas vezes não vale a pena forçar a barra, tendo em vista que as canções oficiais da Fifa raramente se dão bem.
Ou alguém lembra de Boom, de Anastacia, tema de 2002? No máximo podem recordar de Ricky Martin e sua La copa de la vida (ale, ale, ale), de 98. A deste ano já está escolhida e a tendência é que seja rapidamente esquecida: Time of our lives, na voz do grupo Il Divo. Ou seja, como no futebol, o tal hino é uma caixinha de surpresas...